Um situação bizarra em Montevidéu!

Alguém aí já teve alguma experiência muito bizarra em um país ou cidade diferente? Algo muito estranho que aconteceu e você fica se perguntando se foi pessoal ou se é um hábito local um tanto diferente demais para o seu gosto?

Sempre conto para as pessoas de uma situação muito peculiar que aconteceu comigo e com minha família em Montevidéu, quando o navio parou na cidade e nós descemos para dar uma volta. Era dia 31 de Dezembro de 2013, ou seja, véspera de ano-novo. A cidade estava vazia. Os estabelecimentos todos fechados. Parecia feriado mesmo, sabe? Eis que começamos a ouvir uma música. Andando mais um pouquinho, passamos por uma rua, ainda perto do porto, e estava tendo uma festa. Uma galera dançando e pulando com muitas garrafas de bebida na mão. Ok, normal. Comemoração antecipada de final de ano, talvez? Bom, desviamos da muvuca e continuamos seguindo pelo mapa que pegamos na entrada da cidade rumo aos pontos turísticos.

Montevideú 1Entramos em uma viela e vi que tinham algumas poças d’água no chão. Devia ter chovido à noite, né? Ok, normal também. Não dei muita importância. Continuamos caminhando tranquilamente quando, de repente, PÁ! Eu e meu pai tomamos um banho de água na cabeça! Caído do céu. Do nada. !e repente. Na hora parei sem entender o que tinha acontecido e, ao olhar para cima, vi uma mulher e um menino na sacada com um balde vazio na mão rindo loucamente! Sim!! Foi de propósito! A princípio, achei que tinha sido o menino causando, mas a mulher (mãe, talvez?) também estava rachando o bico e apontando para a nossa cara.

Não sabia se ria ou se chorava. HAHAHA. Na hora, fiquei bastante irritada. Afinal, WHAT THE FUCK? Quem sai molhando os outros na calçada assim, de graça? Depois de uns minutos assimilando o que tinha acontecido, nos recompusemos e continuamos andando. Fazer o que, né?

Montevideú 2Um pouco mais para frente, demos de cara com uma outra rua em que estava tendo outra festa. Várias poças de água na rua também. E tinha muita gente. E muita gente jogando água uns nos outros. Aí comecei a perceber que, talvez, aquilo fosse uma tradição em festas de rua: molhar as pessoas. Cada louco com sua mania, né? Quer dizer, cada país com sua cultura! hahaha Mas estávamos com m-u-i-t-a cara de turista. Mochila nas costas, máquina fotográfica pendurada no pescoço, boné, mapa na mão e aquela típica cara de “onde estou? quem sou eu?”. Definitivamente, não éramos do país e, consequentemente, não estávamos acostumados àquele costume. Achei que isso fosse suficiente para nos pouparem de mais água.

Não tínhamos muitas opções de caminhos alternativos. Teríamos que passar pela rua da festa. Fomos andando encostados nos prédios, embaixo das sacadas, pois ficamos espertos com baldes d’água que poderiam ser jogados na gente de cima #malandrinhos  #játavamanjando (Montevidéu tem muitos prédios antigos e todos tem sacadas, daquelas com cantos arredondados, sabe?). A ideia era passar despercebido. Até aí, tudo tranquilo. Eis que, na nossa direção, vinha um grupo de jovens – claramente bêbados – com garrafas de cerveja na mão. Eles olhavam e riam. Mas tudo bem, pensei, eles não tem água. Ufa. Menos mal! Realmente não tinham água, mas tinham cerveja. E adivinha? Quando cruzamos com eles, um deles VIROU UMA GARRAFA DE CERVEJA DENTRO DA MINHA BLUSA. Exatamente. Levei um banho de cerveja nas costas. Do nada. Muito agradável.

Montevideú 3Como vocês podem imaginar, fiquei muito irritada com isso. Já não bastava estar molhada do balde d’água na cabeça de poucos minutos atrás. Mas cerveja? PORRA, cerveja gruda! Ok… Respira! Com muito ódio no coração, seguimos andando. Achei que já tinha sido o bastante. Sim, já entendemos que é uma tradição de vocês. Já entendemos que vocês estão comemorando alguma coisa e isso é uma prática comum. É assim que se divertem, não é? Jogando água na galera? Em qualquer um? Incrível! Muito criativo! E refrescante, também! Afinal, quem não gosta de levar um banho no meio da rua em pleno calor de Dezembro? Justo! Obrigada por nos mostrarem a cultura local. Adorei! Mas agora já deu. Podemos passar então? Sem água? Muito menos cerveja? Obrigada. De nada.

Eis que um grupo começa a jogar bexigas cheias de água na gente. Foi um ataque, praticamente! E jogadas de longe, aquilo dói onde pega. Derrubou os óculos de sol do meu pai no chão. HAHAHAH bizarro!

Saímos correndo andando e, no caminho, ainda conseguimos desviar de mais um ataque aéreo. Ufa! Pelo menos um… Ao chegar na praça central da cidade, já tinha mais movimento e ninguém nada nos outros por aí. Ainda estávamos meio extasiados pelo acontecido. Aquela cara de “calma aê… mas o que foi isso, afinal?” Terminamos nosso tour e voltamos para o navio. Lá, ouvimos muita gente reclamar da “recepção” pouco calorosa dos uruguaios. É… sei bem como é! rsrs

Montevideú 4

Eu realmente fiquei muito brava na hora. Era óbvio que éramos turistas passeando na cidade e não tínhamos obrigação de “entrar no clima” da festa. Pelo menos, não de maneira forçada. Achei desrespeitoso. Estávamos com máquina fotográfica na mão, mochila. Claramente não estávamos com um look adequado! rs Poderia ter estragado as coisas. Acho que a máxima “quando um não quer, dois não brigam” se aplicava bem para aquele momento.

Mas depois que passou, começamos a rir da situação – que, vamos combinar, é bem engraçada quando se conta! E comecei a me questionar se eu tinha direito de ficar brava. Afinal, estávamos no país deles, no meio da comemoração deles (seja ela qual for, já que não descobri até agora. Alguém sabe?). E pensei no nosso Carnaval. A galera também fica enlouquecida nessa época. Sai do corpo! E se um gringo meio desavisado no meio da folia fosse atacado por confetes, serpentinas e espuma? Teria ele razão de ficar puto? Afinal, é uma festa, e é assim que fazemos. E o intruso é ele. Nós estamos no nosso país. Será que isso se aplicaria para o que aconteceu com a gente em Montevidéu?

Sei lá! Hoje acho engraçado, apesar de não ter gostado. hahaha Mas ainda não tenho uma opinião formada sobre isso. A gente deveria saber que estava tendo festa? Deveria ter levado na esportiva e, quem sabe, até ter entrado na brincadeira? Ou, já que éramos turistas passeando e não podemos prever essas coisas, temos mesmo o direito de ter ficado bravos? Alguém tem alguma opinião sobre isso? O que acham?

Bjos!!

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