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Dica de leitura: Eu sou Malala

E vamos a mais uma Dica de Leitura aqui nesse blog – já deu para perceber que eu gosto de ler, né? O livro de hoje é sobre uma história real, escrita em primeira pessoa. Aposto que muita gente conhece a protagonista que dá nome ao livro, a Malala. Ok, talvez você não reconheça assim, de cara. Talvez não pelo nome. Mas tenho certeza que todo mundo lembra da menina paquistanesa que foi baleada pelo Talibã enquanto voltava para a casa da escola, em 2012.

O livro “Eu sou Malala” começa nos inserindo no contexto de vida de Malala Yousafzai. Ela fala sobre o Vale do Swat, a escola, a família, as amigas. Até que chega no fatídico dia que mudou a sua vida. Com apenas 15 anos, ela levou um tiro no rosto a sangue frio. O atirador entrou no ônibus em que ela voltava da escola com outras alunas, perguntou quem era Malala e atirou.

Eu sou MalalaDepois disso, tem-se uma verdadeira aula de História. Malala conta a história do Paquistão e do Vale do Swat. Fala sobre a época em que o país ainda pertencia à Índia. A independência. As brigas. As mudanças políticas, econômicas e religiosas. As guerras. Mas também fala muito da paz e de como era bom morar no Swat antes do Talibã assumir o poder.

Em meio a tudo isso, ela vai explicando mais sobre a religião muçulmana, as crenças, os hábitos, os comportamentos, o modo de pensar. E é interessante porque a gente vê um outro lado da história que nos é mostrada diariamente. A gente vê que tem milhares e milhares de muçulmanos que são pessoas comuns, que só querem levar uma vida boa e tranquila. Que não querem guerras, mortes ou destruição. Que não se importam se um ou outro país fez essa ou outra coisa. Essas pessoas só querem viver. Do jeito delas, dentro dos preceitos religiosos delas. Querem criar seus filhos. Fazer compras no supermercado. Receber os vizinhos em casa. E pronto.

Hoje em dia, sempre que se fala em Oriente Médio, o assunto é sempre guerra. Explosão de carro bomba. Morte de não sei quantas pessoas. Tiroteios. Terroristas. Para quem está do outro lado do mundo, a impressão que se tem é de é só isso que esses países tem a oferecer. E não é verdade.

Uma das partes que mais me marcaram no livro foi quando, logo no começo, Malala menciona que ainda tem esperanças de que vai poder voltar pra sua terra natal um dia – desde o tiro, a menina e sua família moram na Inglaterra. Na hora, a minha primeira reação foi pensar “nossa, mas você prefere voltar para o Paquistão ao invés de ficar na Inglaterra? Jura mesmo?”. Puro preconceito, né? Uma grande ignorância e arrogância da gente pensar que um país mais desenvolvido e rico vai ser um lugar melhor do que nossa própria casa, principalmente quando a gente é forçado a sair dela.

Malala gostava de viver no Paquistão. No Vale do Swat. Gostava da sua rotina, da sua escola, dos seus livros. E ela só queria defender o direito das meninas à educação. Depois que o Talibã mandou fechar (e explodir, até) escolas femininas, ela levantou ainda mais sua voz na tentativa de mudar o rumo das coisas. Queria manter seu direito de estudar. O seu e o das demais meninas e mulheres do país. E claro, isso incomodou muita gente.

Malala e sua família

Malala e sua família

Sinceramente, eu amei o livro. Aprendi bastante sobre a história do Paquistão e de tantas e tantas famílias que tem suas rotinas alteradas drasticamente em função da decisão de outros poucos. Fiquei chocada. E emocionada. Aho que vale muito a pena a leitura. Você também vai mudar sua visão sobre certas coisas…

* Para quem tiver interesse, a Malala tem uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo garantir o direito de meninas e meninos terem acesso à educação (o link é esse AQUI). Você pode ajudar doando dinheiro e ajudando a espalhar a ideia pelo mundo. Também existe uma página no Facebook, que tem várias notícias e cases sobre o assunto (quem quiser acessar, clique AQUI).

Dica de leitura: “Depois de Auschwitz”

Sempre que possível, gosto de trazer aqui a indicação de algum livro que li e que tenha como base um fato histórico (já viu as outras recomendação? Clica AQUI então!). Acho que viagem e História tem tudo a ver. E se tem uma parte da História que eu sou apaixonada, é o Holocausto. Calma! Não me julguem! Eu explico!

Justamente por ter sido tão terrível, monstruoso, desumano e qualquer outro adjetivo ruim que você queira acrescentar aqui, é que eu acho interessante. Mas interessante no sentido de me questionar o tempo todo COMO É que uma coisa dessas foi capaz de acontecer. O QUE passava na cabeça daqueles que entregaram, torturaram e mataram tantas pessoas. P-E-S-S-O-A-S. Seres humanos. Como eu, você, seu amigo, sua mãe, seu irmão. Como esses mesmos que entregaram, torturaram e mataram.

Sempre busco ler mais sobre o período o extermínio dos judeus na época da II Guerra Mundial. Afinal, nem faz tanto tempo assim. E, mais uma vez, eu penso… Como aquilo foi possível? Como houve coragem para tanto? Enfim.

Depois de Auschwitz

Esse livro que indico se chama “Depois de Auschwitz” e foi escrito por uma sobrevivente do tão famoso e asqueroso campo de concentração, Eva Schloss. Ela conta toda a trajetória da sua vida, desde a infância feliz com a família na Áustria até os dias de hoje. Sem mimimis, ela narra, de uma maneira bem clara e direta, o que levou a família a ter que fugir do seu país natal, os momentos de aflição enquanto eles ficaram separados, a nova vida em Amsterdã, o período em que ficaram escondidos dos nazistas em casas de famílias que eram contra o governo, o momento da captura pelos soldados da SS, a chegada e a vida em Auschwitz (com detalhes de inimagináveis) e o que aconteceu depois. A vida que segue, o trauma, a saudade dos que se foram. A reconstrução de uma história interrompida e pra sempre abalada.

Fiquei muito impressionada. Isso porque já li vários livros sobre o assunto, inclusive o famoso “O Diário de Anne Frank” – de quem Eva e sua família foram vizinhos em Amsterdã, e sua mãe, depois da temporada em Auschwitz-Birkenau, casou-se com Otto Frank, pai da menina, com quem viveu até o fim dos dias. Mas a cada livro, a cada relato, a gente descobre uma parte diferente da História. Sempre alguém conta uma experiência daqueles dias de um outro ângulo. Sempre há o que aprender, o que descobrir, o que se chocar ainda mais (mesmo quando a gente pensa que é impossível). E com “Depois de Auschwitz” não foi diferente.

Depois de Auschwitz - livros

Imagina você ter que abandonar sua casa, seus amigos, sua escola, seu país de uma hora para outra? Fugir? E por quê? Por ter uma religião que alguém disse que não prestava? Porque alguns te acham impuro e decidem que você e os demais precisam desaparecer da face da Terra? Não dá nem pra imaginar isso, né? Agora imagina como foi lidar com isso sendo apenas uma menina.

E passar parte da adolescência em um campo de concentração? Assim como Eva e Anne, milhares e milhares de meninas, meninos, senhoras, senhores, moças e rapazes inocentes tiveram essa mesma experiência. E que experiência! A gente não consegue sequer pensar em como foi ter vivido todo aquele terror. Nem mesmo lendo o relato de alguém que viveu de verdade.

Para quem gosta desse assunto, eu recomendo a leitura de “Depois de Auschwitz”. Achei a escrita muito leve (dentro do possível), sem dramalhão exagerado (apesar de a história, por si só, já ser um – e com toda a razão). Gostei demais, demais. Quero, inclusive, ler um outro livro de Eva, chamado “A história de Eva”, onde ela conta com mais detalhes sobre a vida no campo.

Gostaram da dica? Para quem curte, é uma bela leitura!

Para ver os preços e onde encontrar o livro “Depois de Auschwitz”, clique AQUI.

Para ver os preços e onde encontrar o livro “A história de Eva”, clique AQUI.

Para ver os preços e onde encontrar o livro “O Diário de Anne Frank”, clique AQUI.

Dica de Leitura: “Fidel e Raul, meus irmãos. A história secreta.”

Eu tinha esse post pronto há bastante tempo. É mais um daqueles “Dica de Leitura” (já viu aqui?), ou seja, livros que tem um caráter histórico (e que acho que tem tudo a ver com viagem!), li, amei e preciso indicar 🙂

Talvez esse livro seja um tanto quanto polêmico, mas faz bem uma discussão saudável, né? Nesse caso, independentemente das suas crenças e preferências políticas, é uma história bacana e que vale à pena conhecer. Não importa em qual lado da história você acredita mais ou menos. O importante é saber que existe um outro lado da história.

O livro em questão se chama “Fidel e Raul, Meus Irmãos. A História Secreta” (clique aqui para ver os preços do livro), onde Juanita Castro, irmã dos dois, conta a história de sua vida e de sua família antes, durante e após a Revolução Cubana de 1959.

Mas não é a história comum que a gente aprende na escola. É o ponto de vista de um membro da família Castro, que apoiou e ajudou na ideia da Revolução mas que, ao observar o rumo das coisas depois da tomada do poder por Fidel, se colocou completamente contrária às ações que estavam sendo tomadas pelos irmãos e, inclusive, ajudou o povo a escapar do regime ditatorial imposto.

Livro Fidel e Raul

 

A História da Revolução Cubana me fascina. Acho que pela relação de amor e ódio que ela gera nos cubanos. Isso sempre me intrigou. A promessa de um país livre e democrático, o envolvimento de uma nação inteira em busca de um vida melhor, a luta de milhares pela libertação de Cuba e o desmoronamento desse sonho pouco tempo depois que a tão esperada Revolução triunfou, com a imposição de uma ditadura fria e cruel. Não que eu seja perita no assunto, longe disso, mas já li alguns livros sobre o tema, cada um com uma perspectiva diferente, e me interesso cada vez mais pela história.

Não estou aqui para julgar se o que Juanita escreve é verdade, ou não. Não sei até onde há uma certa “ficção literária” sobre os acontecimentos, até onde a impressão que ela teve foi diferente da realidade, enfim. De qualquer forma, é um excelente livro para pensarmos em tudo o que aconteceu, e acontece, com o povo cubano. Acho que estamos tão habituados a ouvir falar de Fidel e Raul Castro, ditadura e etc que não paramos para pensar no que isso realmente impacta na vida de milhares de pessoas.

Fidel e Raul - Juanita Castro

Juanita em Miami, onde morou desde 1964, ano em que se exilou de Cuba e nunca mais voltou.

Fiquei muito comovida em ver como uma família tão unida, de boa gente, acabou despedaçada. Como as relações entre irmãos que sempre foram tão unidos teve um fim tão triste. Mas também fique emocionada com a coragem e determinação de Juanita. Não é fácil lutar contra tudo e todos por um ideal. Ainda mais quando esse “tudo e todos” envolve diretamente seus irmãos, Fidel e Raul, comandantes de um país cujo regime adotado vai totalmente contra tudo o que você (e seus compatriotas) acreditam. 

Fidel e Raul - Família Castro

A família no casamento de uma das irmãs: Raúl à esquerda, Fidel de barba e bigode, Juanita sentada à direita.

Também achei bem interessante a visão que Juanita tinha (ela faleceu em 2010, se não me engano) sobre o tão famoso e aclamado Che Guevara. A opinião que ela tinha sobre Che e alguns casos que ela comenta as atitudes e ideais dele nos dão um outro ponto de vista sobre esse icônico revolucionário. E é sempre bom abrir um pouco a cabeça e ver que tudo tem dois lados.

Fidel e Raul - Che Guevara

Che Guevara e Fidel Castro.

Enfim, recomendo a leitura independente do que você acha sobre o assunto, se é contra ou a favor dela, de Fidel, de Cuba ou da Revolução. Acho que expandir nossos horizontes com diferentes opiniões é sempre válido e enriquecedor!

Dica de Livro: O assassinato de Tutancâmon

Tô lendo um livro muito interessante. Sim, eu sei que isso não é um clube de leitura nem nada do gênero, mas achei que cabia o post pelo livro em questão ser uma bela aula sobre História. E aí, sim, chegamos no ponto em comum com esse blog aqui, afinal, viagem x História tem tudo a ver. Não?

Livro Tutancâmon

Crédito da imagem: produto.mercadolivre.com.br

O livro se chama O Assassinato de Tutancâmon. Sabe Tutancâmom? Aquele faraó do Egito? Então, ele mesmo. O autor é Bob Brier, um egiptólogo americano que vai explicando, de maneira simples, como se chegaram às evidências de que o jovem faraó havia sido assassinado. Aham, Tutancâmon tinha apensas 19 anos quando morreu. Mas não foi (só) a morte prematura que o fez tão famoso. Até um ou dois séculos atrás, ninguém nem sabia de sua existência.

Mas a coisa toda vai muito mais além de um suspense em torno do misterioso assassinato. Muito antes de desvendar o crime, o livro situa a gente no universo egípcio daquela época para podermos entender qual a importância de determinados fatos que vão acontecendo no decorrer da história. Por exemplo, os faraós eram tidos como deuses da terra e, por causa disso, eram muito admirados, respeitados e venerados. Não existia poder maior do que o de um faraó. Ele era a encarnação do próprio país. Era o guia, o norte, a referência. O bem-estar, a segurança, a fé, a religião. As riquezas do país e das conquistas além-terra dependiam das orientações dele. Sem ele, nada fazia sentido. Até o calendário era feito com base no período de reinado de um faraó. E por isso é muito surpreendente que, em algum momento, alguém pudesse MATAR um faraó.

Além de nos situar no contexto histórico, político e religioso da época, o livro também conta mais sobre a árvore genealógica de Tut (vamos abreviar, né galera? Muito grande esse nome!), a XVIII Dinastia. Como as escolhas dos seus antepassados foram desenhando o curso da História e culminaram no trágico desfecho. O pai dele, por exemplo, deu a louca e colocou o Egito de cabeça para baixo (em todos os aspectos). Mudou a capital de lugar, seu nome, o Deus a quem cultuar. Uma reviravolta! E sobrou para o governo do pequeno Tut, com apenas 10 anos de idade, recuperar a confiança, segurança e riqueza que o país tinha antes do reinado do pai.

E a gente aqui, né? Achando que já tem responsabilidades demais na vida! Hehehe

Múmia Tutacâmon

Crédito da imagem: gazetaweb.globo.com

Grande parte do que está no livro me lembro de ter aprendido na escola. Mas como é diferente! O autor consegue transmitir todas essas informações históricas, cheias de datas, nomes estranhos e números romanos de uma forma muito tranquila de entender. Não é nada massante e nem boring.

Todos os fatos e conclusões tiradas a partir das análises das múmias, documentos, túmulos e objetos são explicadas, mesmo que de maneira simples. Do tipo, “esse cadáver pertencia à realeza porque foi enterrado com a mão de determinada maneira sobre o corpo, e só quem era da realeza era enterrado assim”. Ou,” esse cara morreu de repente e muito jovem porque seu túmulo não tinha sido finalizado e dá para perceber que o enterro foi feito às pressas por conta desse, desse e desse detalhe”. E aí a gente pensa em como é complexo esse estudo! É cada conclusão que a gente nem imagina…

Por exemplo, dá para saber que um fulano era da classe operária porque tinha a musculatura do braço mais desenvolvida. Ou se vivia no campo ou no litoral com base dos resquícios da dieta habitual dessa pessoa (se era à base de peixe, provavelmente morava perto de um rio ou mar). Doido, né?

Ainda não acabei o livro. Estou na parte final da vida de Tut. Mas tô curiosa para saber o desfecho e, principalmente, como chegaram à essa conslusão. Mas recomendo fortemente o livro para quem gosta de História e tem curiosidade em saber mais sobre essa cultura tão diferente da nossa – e o melhor, de uma maneira bem interessante!

 

Boa leitura!