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Alemanha e o macarrão de sorvete!

Quando a gente pensa em sorvete, acho que um dos últimos lugares que vem a nossa cabeça é a Alemanha! Certo? Certo. Afinal, um país que vive em temperaturas baixas durante a maior parte do ano, com direito a neve e muito, muito frio, a última coisa que as pessoas vão querer comer é sorvete. Certo? Errado!

Como você vai ver nesse post aqui, a Chris, amiga querida que mora na Alemanha há anos e escreve a nossa coluna semanal “Por que Alemanha?” nos mostra que, nos poucos dias de calor alemão, o que bomba mesmo nas ruas é o sorvete, minha gente! E ela até passa pra gente uma receita de um macarrão de sorvete, sobremesa típica com curioso nome de Spaguetti Eis. Bora fazer? Assim a gente pode provar a Alemanha sem sair de casa!

Por que Alemanha - macarrão de sorvete

Alemanha e a paixão por sorvetes            

(Clique nesse link e assista esse vídeo que a Chris recomendou!)

Este verão europeu, considerado o mais quente desde que existem as estatísticas, é a inspiração perfeita para falarmos sobre a paixão que os alemães têm por sorvetes. Vamos então nos refrescar…

Um estudo canadense recente relata que o mercado de sorvetes alemão está crescendo a um patrimônio líquido de 2,7 bilhões de dólares, o que é mais do que a indústria de gelados em qualquer outro país europeu.

Macarrão de Sorvete

Na Alemanha, quando falamos em sorvetes, logo nos remetemos às deliciosas casas de café, encontradas em qualquer cidade do país.

Macarrão de sorvete - caféÀs vezes ainda no finalzinho do inverno, logo que o sol começa a dar suas caras, após os longos cinzentos dias frios, já é possível ver algumas mesinhas e cadeiras nas calçadas, e os alemães já estarão se preparando para os meses mais quentes que estão por vir, curtindo seus capuccinos e cafés com bolo.

Mas quando o clima começa mesmo a esquentar, o que surge nas mesas é o saborosissimo Eiskaffee e o inusitado Spaghetti Eis.

Spaguetti Eis

Alguma vez você já sonhou em combinação macarrão e sorvete? Pode soar estranho e talvez este prato pudesse estar presente naquela mesa de chá do chapeleiro maluco em Alice no País das Maravilhas, porém esta delicia é facilmente encontrada em quase todas as sorveterias da Alemanha.

Macarrão de Sorvete - Spaguetti Eis

A ideia veio de Mannheim em 1969, com Dario Fontanella, proprietário de uma fábrica de sorvetes, cuja família emigrou para Alemanha a partir dos arredores de Veneza em 1932. Dario tinha a intenção de recriar um prato nacional italiano, e surpreender seu pai, oferecendo sorvete em uma nova forma. Depois de muitas experiências, com diversos ingredientes, ele encontrou a combinação perfeita: sorvete de baunilha com morangos amassados e chocolate branco.

Em 2014, Fontanella foi premiado com o “Bloomaulorden,” o maior prêmio do cidadão em Mannheim, cidade conhecida como “a cidade dos inventores”. Hoje Fontanella possui seu negócio familiar, o Fontanella Eismanufaktur Mannheim. Os Fontanellas estão no negócio de sorvete por mais de 100 anos, a maioria dos quais eles passaram em Mannheim.

Mas vamos agora para a receita do Spaghetti Eis, para 2 porções:

100 ml creme de leite fresco

2 colheres de chá de açúcar

400 ml de sorvete de baunilha

300 g morangos ( congelados )

2 colheres de chá de açúcar

1 pacotinho de açúcar baunilha

100 gs de chocolate branco

Modo de fazer: Polvilhar os morangos com o açúcar, deixar descongelar. Depois fazer um purê com a fruta, levar ao fogo baixo para fervura, por aproximadamente 20 minutos e deixar esfriar. Bater o creme de leite junto com 2 colheres de chá de açúcar em ponto de chantilly bem firme, raspar o chocolate branco.

Macarrão de Sorvete - Spaguetti Eis 2

 

Colocar o chantilly em tigelas ou pratos de sobremesa. Passar o sorvete de baunilha no espremedor de batatas ( que deverá está bem resfriado ). E cobrir tudo com o molho de morangos. Polvilhar com o parmesão – ops desculpe – com as raspas de chocolate branco.

Eiskaffee

Nada melhor no verão após um exaustivo dia de trabalho ou de compras sentar-se num café de rua, observar o movimento ao redor e desfrutar do fresco e revigorante Eiskaffee.

Macarrão de Sorvete - Eiskaffee

Hoje, na Alemanha existe disponível no mercado o pó pronto, que deve somente ser misturado ao leite frio.

Mas o Eiskaffee original deve ser preparado conforme sua receita tradicional. Na Alemanha e na Áustria é simplesmente utilizado o café passado pelo filtro e depois resfriado na geladeira. Em seguida, coloca-se o líquido frio preferencialmente em um bonito de vidro fino e alto e finaliza-se a bebida conforme o gosto pessoal de cada um, com açúcar, leite e/ou bolas de sorvete de creme. Esta refrescante bebida é coroada com chantilly !

Diz-se que o Eiskaffee veio da Grécia sendo chamado popularmente de café frape, que é preparado batendo-se café solúvel, açúcar e um pouco de água até tudo ficar muito espumoso e completa-se então a bebida com leite e talvez ainda água fria. Às vezes, o café frape também é refinado com uma bola de sorvete.

A partir das regiões do sul da Itália e da Grécia, o café frio se espalhou ao redor do mundo, onde recebeu seu toque pessoal em cada região e em cada país.

Na Floresta Negra o cliente apreciador do Eiskaffee encontra ali uma criação diferente, pois naquela região é costume misturar o café gelado adoçado com uma pequena dose de Kirschwasser (aguardente feito à base de cerejas). A bebida é refinada com sorvete de baunilha, chocolate granulado e uma casquinha de sorvete, hum uma delícia!

Macarrão de Sorvete - Chris e Bia

Eu poderia escrever aqui uma lista infindável de variações do Eiskaffee, criadas no mundo todo, porém estranhamente nunca achei esta bebida no Brasil, terra do café mais gostoso do mundo!

Certo é mesmo que Eiskaffee e Spaghetti Eis são para mim a melhor forma de dar boas-vindas às temperaturas quentes do verão !

 >> Por que Alemanha?

– porque aqui, na maioria das sorveterias do país encontraremos algum brasileiro, provavelmente vindo de Sta Catarina e de origem italiana, pronto para nos servir um refrescante sorvete. Muito legal poder trocar algumas palavras em português e um “volte logo” ao sairmos!”

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E aí? Gostaram da ideia do macarrão de sorvete? Parece apetitosíssimo! Quem fizer a receita em casa, volta aqui pra comentar o que achou, tá? 😉

Sobre o famoso Porto de Hamburg, Alemanha

Porque não há nada melhor do que viajar para um lugar sabendo um pouquinho da história e curiosidades sobre ele, né? A viagem fica mais rica e tudo faz mais sentido! Quem concorda? o/

No post de hoje da nossa coluna semana “Por que Alemanha?” (clica AQUI pra ler os demais posts!!), a Chris traz pra gente alguns fatos e curiosidades sobre o famoso e importante Porto de Hamburg! Vamos ver? Quando você fizer sua viagem para a Alemanha, já vai estar bem informado! 😉

Por que Alemanha - Porto de Hamburg

“Alemanha – Porto de Hamburg                  

Hamburg – o portão para o Mundo. Comércio e navegação contribuem há séculos para o ambiente internacional dessa cidade à beira do rio Elba, com 4 milhões de habitantes na área metropolitana.

Porto de Hamburg - Chris

Hamburg é uma cidade-estado, fica bem no norte da Alemanha, pertinho da Dinamarca, à margem do Rio Elba. É uma cidade com muito verde e é considerada uma das cidades mais bonitas da Alemanha, recebendo 120 milhões de turistas anualmente. Hamburg é uma cidade hanseática que fazia parte da Companhia de Navegação e Comércio Hansa. Entre 1850 e 1934 mais de cinco milhões de emigrantes saíram da Europa para o Novo Mundo pelo porto de Hamburg. Eram emigrantes dirigindo-se a América do Norte e do Sul, incluindo o Brasil.

Porto de Hamburg - Cartazes

É interessante notar que no Brasil, Hamburger Berg foi a primeira fundação no Vale dos Sinos, Sul do Brasil, que mais tarde tornou-se Hamburgo Velho, o nome original significava “Morro dos Hamburguenses”, daí se origina a Novo Hamburgo atual. Hoje, Novo Hamburgo é conhecido como a Capital Nacional do Calçado e é considerada a maior cidade de origem alemã do Rio Grande do Sul.

Em Hamburg também chegaram de navio os imigrantes para trabalhar na indústria e reconstruir a Alemanha no período do pós-guerra. Isso faz com que a cidade tenha grande tradição em suas relações internacionais e multiculturais, sendo chamada de “Portão para o Mundo” (Tor zur Welt).

Porto de Hamburg - Navios

O Porto de Hamburg transformou-se em breve tempo em um local turístico interessante para navios de cruzeiro em virtude de localizar-se bem no centro da cidade e assim perto das atrações turísticas. Além disso, tornou-se comum que habitantes da cidade saúdem os navios da margem do rio Elba durante a sua chegada à cidade, muitas vezes acompanhados por um espetáculo de fogos de artifícios patrocinado pela cidade.

História e Tecnologia

O porto nasceu na Idade Média, ganhou cada vez mais importância durante o século XIX, foi bombardeado durante a 2ª Guerra Mundial e em pouco tempo reergueu-se e modernizou-se. Entre 1958 e 2008, o movimento anual passou de 30 milhões de toneladas para 140 milhões de toneladas. Atualmente, a containerização – manipulação de mercadoria por containers, que indica o nível de modernização do porto – chega a 96%.

Uma média de 12 mil navios cargueiros passam por Hamburg todos os anos. É mais do que o dobro, por exemplo, do volume de navios que atracou no Porto de Santos, o maior do Brasil, em 2009.

Porto de Hamburg - Cargueiro

Economicamente, o Porto de Hamburg é o segundo maior porto da Europa, possui uma localização geográfica estratégica para distribuição de produtos depois que estes chegam no Porto. O Porto fica na beira de um rio, o Rio Elba, e os navios chegam pelo mar do Norte, entrando 70 milhas náuticas pelo rio até chegar no Porto.

Porto de Hamburg - Rio Elba

O Rio Elba tem 1.165 km de extensão, com 870 km navegáveis. Em sua foz no Mar do Norte, logo depois de Hamburg tem 15 km de extensão.

Previsões confirmam que em 2 ou 3 anos, o Porto de Hamburg ultrapassará o Porto de Amsterdã, o maior concorrente, em temos de volume movimentado. Para isso discute-se no momento os planos para o aumento da profundidade do rio Elba, construção de novas estradas e ferrovias além das já existentes para assegurar o acesso e escoamento das cargas ao porto. Só para exemplificar, diariamente chegam ao porto 200 trens de carga e as previsões futuras são de 450 trens por dia. A companhia ferrovia portuária administra 330 km de trilhos, incluindo 5 estações, 7 cruzamentos e 73 pontes e uma moderna torre de controle central.

Além disso, apesar de ter terminais para a movimentação de cargas a granel, a ênfase está na movimentação de cargas em containers. Isso faz de Hamburg um grande centro de comércio exterior. O porto é responsável por 40% da arrecadação fiscal do Estado de Hamburg. Mais do que a indústria aeronáutica, presente no Estado com a Airbus, maior concorrente da Boeing, com 15.000 funcionários em sua fábrica ali situada.

No porto existem vários museus náuticos que podem ser visitados, por exemplo, o Rickmer Rickmers e o Cabo São Diego. Visitas guiadas através do porto da cidade são muito interessantes.

Curiosidade: Comparação de 5 portos em volume de TEUs (Twenty Foot Equivalent Units – dados de 2007)

HAMBURG                            9 889 792 

BREMEN/B’HAVEN             4 912 177 

SANTOS                                 2 532 900 

AMSTERDAM                        370 000 

BUENOS AIRES                     1 700 000 (2006)

>> Por que Alemanha?

–  Porque aqui o cidadão participa ativamente da vida política. Em 2010 aproximadamente 120.000 pessoas se reuniram em demonstração contra usinas atômicas. Eles formaram uma corrente humana de 120 km entre os reatores Krümmel e Brunsbüttel, passando no meio de Hamburg.”

Bad Urach e sua coleção de trenós!

Ai ai ai que essa semana não teve post ainda! Devo confessar que morar sozinha em outro país com tantas coisas pra ver e tantos afazeres domésticos, ter um trabalho online do Brasil, arrumar outro como disher em um restaurante duas vezes por semana, fazer post para o blog, atualizar a página do Facebook (segue lá!) e fazer vídeos para o canal (assiste aê!) não está sendo tarefa das mais fáceis! Hahaha

Obs.: pra ajudar, a internet resolveu para de funcionar bem na hora que estava escrevendo esse post! 

Mas para compensar esse pequeno abismo sem posts, lá vem a nossa querida Chris, que escreve nossa coluna semanal “Por que Alemanha?” para nos encher de alegria com mais um post lindo!

O que eu mais gosto nesses textos da Chris é que dificilmente você vai encontrar informações sobre as cidades, passeios e paisagens que ela traz aqui em qualquer outro site ou guia turístico. Por morar na Alemanha e ser uma curiosa nata, ela sempre descobre lugares incríveis, como o de hoje, que tem, inclusive, a maior coleção de trenós do mundo. Você sabia que em algum lugar do mundo existia uma coleção de TRENÓS? Nem eu! E é por isso que eu amo essa coluna! <3

Mas eu já falei muito. Clique AQUI para ver os demais posts do “Por que Alemanha?” e divirta-se!

Por que Alemanha - Bad Urach

Alemanha – Bad Urach

E lá vamos nós, passear por uma linda cidade situada no coração da reserva da biosfera tombada pela UNESCO, aqui o que não falta é qualidade de vida.

Bad Urach é uma pequena cidade no pé da “Schwäbischen Alb”, localizada no distrito de Reutlingen em Baden-Wuerttemberg. Garanto que será muito difícil achar esta pequena e histórica cidade, que já serviu de sede da moradia dos reis de Württemberg-Urach, em qualquer guia turístico.

Bad Urach - Cidade

A cidade é pequena, somente 13.000 habitantes, mas vejam o que, somente num piscar de olhos, descobri por aqui:

– Praça central medieval

No centro da cidade de Bad Urach encontramos esta linda praça que servia de mercado medieval, com suas casas em estilo enxaimel, datadas no século 15 e 16, marcante é a visita na igreja de St. Amandus, de estilo gótico.

Bad Urach - Praça Medieval

– Palácio real Urach

O palácio real Urach foi construído em 1443. Durante algum tempo, ele foi usado como residência durante a divisão dos Württemberg. O palácio também foi o berço do Conde Eberhard V e Christoph duque de Württemberg. 

Bad Urach - Palácio Real

Marcante é a sua arquitetura, em especial seu hall, com suas abóbadas góticas. O salão das palmeiras é algo totalmente inesperado! Lindo e diferente, com as representações mais antigas da palma na Europa (acho que minha memória tropical se sentiu especialmente tocada por esta menção), e a Câmara de Ouro, um dos melhores salões renascentistas no sul da Alemanha.

Bad Urach - Interior do Palácio Real

O castelo é o único remanescente do palácio residencial que data do auge do ducado do Württemberg no final da Idade Média. Somente seu “Salão Dourado” com sua magnitude, já vale uma visita.

– A maior coleção de trenós do mundo

Urach é mesmo surpreendente! Aqui nas instalações do palácio está a maior coleção de trenós servidos para transporte cerimonial, datados do século 17 e 19! 

Ricamente esculpidos e em formatos inesperados, os veículos eram usados para a diversão do duque de Württemberg, no inverno.

Bad Urach - Trenós

Peças que são verdadeiras obras de arte!

Mas além de tudo isto, Bad Urach é local perfeito para caminhadas.

Há exatamente um ano, em 3 de Maio de 2014, foi inaugurado o percurso com cinco trilhas “premium” Grafensteige, (testadas e certificadas pelo Instituto Alemão de Caminhadas) para felicidade de todos os amantes de caminhadas da região!

Bad Urach - Trilhas

Não é possível precisar quantas pessoas já passaram por estes cinco roteiros neste ano.

Caminhada é um esporte que nos últimos anos tem se tornado muito popular. Os adeptos a caminhadas esperam mais e mais uma melhor estrutura. Um ponto importante é a sinalização completa e confiável, o que é condição básica para uma trilha premium e por isto mesmo são tão apreciadas.

Bad Urach - Trilhas 2

Mas este não é o único critério para se obter esta certificação. A rota tem que ser variada com relação a caminhos e paisagens, com mínimo trecho asfaltado, pontos importantes relativos a paisagens e vistas, boa mobilidade pelos caminhos e excelente sinalização. A região de Bad Urach se enquadra perfeitamente nestes aspectos.

Eu completei a trilha até a cachoeira Urach, que por si só é uma experiência muito agradável, mas em conjunto com a vista deslumbrante de todo o percurso, faz da caminhada um grande prazer.

Esta cachoeira tem uma queda livre de 37 m sobre falésias e suas águas percorrem 50 metros ao longo de um caminho de calcário, rodeado por musgos, é lindo!!!

A trilha “Grafensteige” não é feita para passeio, e sim para caminhadas. Desta forma, é extremamente recomendado o uso de calçado adequado. Principalmente depois e durante as chuvas a rocha calcária e o solo podem ser muito escorregadios.

E uma experiência à parte neste lindo vídeo: o despertar da natureza no início da primavera, em abril 2012, em “Grafensteige”. Se puder, pare tudo o que você estiver fazendo e ative seus sentidos: ouça os pássaros e a água, veja as cores renascendo, e os aromas que surgirão neste desabrochar, sinta nas mãos o frescor da água e a umidade das pedras…

>>Por que Alemanha?

– Porque aqui, no distrito de Frauenwald, ocorrerá em 02/2016 o campeonato mundial de corrida de trenós com Huskies. Excelente programa para uma gélida semana de inverno! Torcerei pela vitória alemã!”

A linda Hohenstaufen, na Alemanha!

Mais um post da coluna “Por que Alemanha?” lindo e maravilhoso escrito pela Chris Rogatto. Quem gosta de história, vai gostar de ler o que ela trouxe pra gente hoje.

Obs.: Gente, a primeira foto é um deslumbre!

Para ler tudo o que já foi escrito no “Por que Alemanha?”, clica AQUI!

Por que Alemanha? - Hohenstaufen

“Quem estiver viajando pela B 10, no trajeto dentro do estado de Baden-Württemberg, e passar próximo da cidade de Göppingen, achará muito interessante a formação e localização de uma montanha ao longe. É o Hohenstaufen! Que é um dos meus lugares favoritos na região, principalmente pelo panorama que avistamos quando estamos em seu topo, mas também por saber que, por quase dois séculos, os duques da Suábia fizeram ali sua moradia.

Hohenstaufen - Vista

Hohenstaufen - desenho do castelo

 

Em 1070 a família Staufer construiu ali um castelo, que na Guerra dos Camponeses, em 1525, foi parcialmente destruído, e infelizmente foi corroído com o passar dos anos sendo considerado em 1736 como totalmente destruído. Nos anos 1967-1971 os restos de seu muro principal foram escavados e ainda podem ser vistos.

 Ruínas do castelo

DICA: Antes de visitar o Hohenstaufen sugiro entrar na exposição permanente “Die Staufer”, sobre a procedência e importância da família na história da Europa, localizada num centro informativo instalado para este fim, no sopé da montanha, próximo a Igreja Barbarossa, isto tornará o passeio muito mais interessante!

Hohenstaufen - Die StauferDentre os vários fatos que me interessaram na exposição, me surpreendi ao saber que à partir do final do século 11 até a segunda metade do século 13, os Staufer prevaleceram na Europa: foi um período de grande tensão política entre a Igreja e o Imperador. Os governantes desta dinastia pregavam uma sociedade mista, incentivando o desenvolvimento da ciência, literatura e arquitetura, e como também se preocupavam com o desenvolvimento urbano e o comércio, criaram assim a base para o desenvolvimento da Europa até nos dias atuais.

O castelo dos Staufer era uma obra-prima da arquitetura de burgos. Dentro dos padrões da época, eles utilizaram as técnicas mais modernas para sua defesa.

Hohenstaufen - maquete do castelo

O Hohenstaufen é um lugar onde o sopro da história nos contagia. A perspectiva que temos de toda a região observada ali de cima é algo, sob minha visão, como que uma viagem ao “paraíso”!

Hohenstaufen - Chris

Memoriais a uma dinastia famosa

A Associação Amigos dos Staufer instituiu a colocação de colunas comemorativos em locais, associados com a importante história da dinastia Staufer na Europa. Eles podem ser encontrados na Itália, França, Alemanha e Áustria.

Em 2002, uma destas colunas, feita em mármore de Puglia, foi erguida no Hohenstaufen. Ela foi erguida para comemorar o 50º aniversário do Estado de Baden-Württemberg juntamente com o aniversário de 750 anos do último integrante da dinastia Saufer, Konradin.

Hohenstaufen - coluna

A sua forma octogonal é uma reminiscência do Castel del Monte, o Castelo dos Staufen, no sul da Itália. A faixa dourada que fecha o pilar acima simboliza a coroa imperial do Sacro Império Romano. A inscrição ítalo-alemã “Hohenstaufen – uma montanha – um castelo – uma dinastia – uma era – um mito” salienta a especial importância do lugar.

Hohenstaufen - inscrição

A vista que temos ali de cima, para toda a região do “Stauferland” é simplesmente maravilhosa! Podemos também avistar outras duas montanhas reais (como aqui são conhecidas) , o Hohenrechberg (Rechberg, local do qual já falamos anteriormente) e o Stuifen. Podem acreditar, em dias de sol, nossa vista alcança um panorama distante em até 100 km – FANTÁSTICO.

Hohenstaufen - Stauferland

Após a deliciosa caminhada pelo bosque que circunda a montanha (duração de aproximadamente 15 minutos), será muito provável que uma parada para uma deliciosa refeição ou um café seja uma ótima pedida. No topo do morro você encontrará o restaurante “Himmel&Erde” (céu e terra) onde você poderá repor suas energias e recuperar o fôlego da incrível experiência visual!

Hohenstaufen - paisagem

Mas se algo mais simples lhe agrada, é só levar sua salsicha, um pouco de carvão e usar o grill do Hohenstaufen.

Então é só abrir a cerveja, sentar e admirar a paisagem, e bom apetite.

>> Porque Alemanha ?

– Porque os churrascos nos parques daqui são uma opção bem legal para passar tempo ao ar livre com os amigos (apesar da qualidade da carne bovina não chegar nem aos pés da brasileira). O custo é baixo e o visual normalmente incrível.”

Hildegard, a primeira feminista de todos os tempos!

Você também ama os textos da Chris, que escreve a nossa coluna semana “Por que Alemanha?”. Eu amo! E o pos de hoje é especial porque, além de ser o último da série sobre o Rio Reno (os outros dois estão AQUI e AQUI. Vale a pena ler!), conta a história de uma mulher que fez a diferença na Idade Média!

Curioso? Vamos lá então!

Por que Alemanha? - Hildegard

“Alemanha – Viajando pelas margens no Vale do Médio Reno

Bingen e Hildegard

Após termos viajado e falado muito sobre o Rio Reno e sua importância, sobre a simpática acolhida que Gau Algesheim proporciona a qualquer um que por ali passa e sobre a linda e romântica arquitetura de Bacharat, finalizo esta série de viagens pelas margens do Reno, contando um pouco da história de uma marcante personagem feminina, única na idade medieval, cuja vida está inteiramente ligada à cidade de Bingen.

Hildegard - vista

Mesmo antes da chegada dos romanos nesta região, existia nas terras hoje conhecidas como Bingen, um assentamento celta, cujo nome era “binge” (= fosso). Estamos então falando de um período antes de Cristo – sim, a história desta região é antiquíssima! No período em torno de 335-360, o presbítero Aetherius de Bingen fundou uma comunidade liderada por sacerdotes. Como prova deste período encontramos ainda hoje seu túmulo de pedra na Basílica de Martin.

Viajando agora por Bingen na Idade Medieval nos deparamos com lendas, ruínas e a surpreendente personalidade de Hildegard von Bingen, abadessa beneditina, nascida em 1098, também considerada como primeira representante da mística alemã da Idade Média. Você sabe quem ela foi?

Hildegard - estátuaHildegard foi a primeira feminista de todos os tempos. E, não se esqueça, estamos falando de um período entre 1098 e 1178! Apesar das rigorosas normas eclesiásticas, ela conseguiu conquistar um espaço para si nesse ambiente marcado pela religião, algo mais do que incomum naquela época.

Foi reconhecida cientista, fundou entre 1147 e 1150 o convento Rupertsberg. Após 1150 Hildegard escreveu um livro sobre a origem e tratamento de várias doenças, não só físicas como também de natureza interior e escreveu nele também sobre a qualidade e as propriedades curativas de várias criaturas e plantas.

Ela catalogou milhares de ervas medicinais e seus efeitos, criando uma fonte de pesquisas usada até hoje. E, diz a lenda, que ela teria descoberto então as propriedades do lúpulo, na mesma época em que a planta passou a ser utilizada para conservar a bebida, que compunha a alimentação nos mosteiros nas épocas de jejum.

Hildegard-plantas

Dedicou-se também à música, compondo importantes obras vocais sacras, principalmente para vozes femininas. Sua educação ia muito além do que era esperado de uma mulher em tal época.

Ouçam que maravilha…

Hildegard-Torre-dos-RatosMas, voltando a falar sobre a cidade de Bingen, continuamos a viajar por lendas e ruínas. Um dos mais famosos pontos turísticos da cidade é a famosa Torre dos Ratos (Mäuseturm) foi local para uma das mais famosas lendas da região. Dizem que um bispo foi cumprir penitência nela e foi devorado por mil ratos, como castigo por sua avareza, fato que não foi comprovado até hoje… A torre, no entanto, serviu até 1975 como sinalização para a navegação no Reno.

Atualmente não é mais muito fácil descobrirmos os locais frequentados por Hildegard em Bingen, devido a atual paisagem urbana da cidade. Mas ainda temos inúmeras maneiras de nos “encontrarmos“ com a mulher mais importante da Idade Média por alí. A trilha “Binger Hildegard” convida tanto moradores como também visitantes a conhecer os lugares que nos lembram de Hildegard, bem como sua colocação perante a sua vida e seu trabalho.

Nesta trilha, é possível também encontrar inúmeras lojas e restaurantes que se identificam de alguma forma com Hildegard von Bingen e nos oferecem produtos de excelente qualidade sempre com referência a ela. Desde literatura até vinhos, bem como também ervas e chás. Estes estabelecimentos podem ser reconhecidos pelo logotipo de Hildegard em suas vitrines.

Hildegard-logotipo

Bingen tem muito mais a oferecer, a cidade é linda, tem um bom comércio e ladeando o Rio Reno encontramos um delicioso parque, aonde caminhamos admirando a movimentação dos barcos, e podemos fazer uma deliciosa pausa para um típico café, à beira do Rio. Estando na região, não deixe de conhecer Bingen, você não se arrependerá!

>> Porque Alemanha ?

– Porque aqui, visitando cidadezinhas, que a princípio me pareciam oferecer um simples, porém lindo passeio turístico, me deparo com histórias seculares e personagens surpreendentes…”

Gau Algesheim: viajando pelas margens no Vale do Médio Reno

Que bacana conhecer mais sobre a cidadezinha que a Bia, minha amiga, mora na Alemanha! A Chris foi passar uns dias por lá e preparou esse e outros posts sobre a região do Vale do Médio Reno. Cada coisa linda!!

Se você está de viagem marcada para a Alemanha, não pode deixar de ler esse e os demais posts na nossa super coluna “Por que Alemanha?”! Clica AQUI para ver tudo!

Por que Alemanha? - Vale do Médio Reno

“Alemanha – Viajando pelas margens no Vale do Médio Reno

Gau Algesheim

O Rio Reno foi berço de lindas e mágicas cidadezinhas que se instalaram às suas margens no decorrer de tantos séculos. Em sua arquitetura vemos uma história viva, incrível! Poderíamos a todo instante ver o movimento dos mercadores, dos animais de carga, os reis em seus castelos, os serviçais atrás de novas mercadorias recém-chegadas nos cais, para satisfazer os desejos das rainhas e princesas… um mundo de sonhos, mas tudo muito real e palpável.

Vale do médio Reno - Alemanha

Eu ainda conheço poucas destas pequenas cidades, mas entre elas tenho, por motivos diversos, as minhas preferidas. Vou tentar, em uma pequena série de notas, mostrar o porque disto para você.

Gau Algesheim

Vale do médio Reno - Bia

Abre parênteses: gente, essa é a Bia, minha amiga linda e maravilhosa! A Chris, que é quem escreve essa coluna, é a mãe dela! <3 Fecha parênteses.

 

Cheguei à pequena cidade de Gau Algesheim através da Beatriz, minha filha, que há 02 anos faz ali sua moradia e se deixou encantar pela magia do local. A minha primeira impressão que tenho sempre que ali chego, é a sensação de entrar numa pequena peça teatral que se passa na idade medieval, a cidade é linda! E somente quem calmamente passeia pelo local consegue entender todo este encanto que Gau-Algesheim exerce sobre Beatriz. Espero que, pelo meu pequeno relato, você também se encante pelo lugar….

Gau Algesheim pertenceu desde sua fundação, em 983, ao distrito de Mainz (hoje capital do estado Rheinland Pfalz) até sua independência no ano de 1787. Em 1355 a cidade se elevou a município, recebendo então naquele ano o direito a ser murada. No castelo (de pequenas proporções diante dos que estou acostumada a ver…), residia então um oficial de justiça do principado de Mainz o que tornou a cidade um pequeno centro administrativo de Mainz.

Pedras tomam conta de sua arquitetura, presentes nas casas, nos antigos muros. Tudo faz minha imaginação me transportar no tempo. No centrinho da cidade, com somente 6.500 habitantes, encontramos logo a linda igreja católica medieval, suas torres são magníficas!

Vale do médio Reno - Igreja

O charmoso prédio barroco da prefeitura está localizado logo ao lado da igreja. Ali, encontramos um centro de informações turísticas, aonde somos muito bem atendidos, fornecem mapas para caminhadas no local, indicações para passeios nos vinhedos – o que é imperdível – e toda informação que se possa necessitar.

Vale do médio Reno - Prefeitura

Mas isto não é tudo, neste minúsculo centrinho encontramos uma livraria simplesmente fantástica!!!! Chama-se “Herr Holgersson”. Eu nunca imaginaria encontrar uma livraria tão aconchegante, moderna, criativa numa cidadezinha tão pequena e com aquele flair medieval. Que agradável surpresa, viajei pela minha infância ao me deparar com uma linda e convidativa cama infantil, rodeada de almofadas, cobertores, e livros e mais livros, ali qualquer criança certamente adquire o prazer da leitura muito cedo! Visite o site e veja por você mesmo.

Vale do médio Reno - Livraria

Após esta visita no pequeno e encantador centro, com os mapas em mãos sugiro conhecer a cidade do alto, caminhando em algum dos roteiros pré-determinados e sinalizados, e assim sentir melhor o ar e a terra que produz vinhos tão maravilhosos, e que adquirem um sabor muito especial, se degustados ali mesmo. Na metade do percurso, já no alto, com vista para o vale, achamos um simpático quiosque. Você chega ali facilmente pois seu caminho está sinalizado e seu nome é GAGA, sim ali mesmo sugiro uma parada, e não se esqueça de levar sua taça de vinho e uma garrafa de Riesling da região, geladinho, assim você terá a experiência sensorial que o local e as uvas podem lhe dar.

Vale do médio Reno - Cidade

Dali de cima, o panorama de todo o vale e para Gau – Algesheim nos leva a achar ao longe o Laurenziberg, também possível de se alcançar através de agradável caminhada. Ali encontramos a Laurenzikirche, igreja de peregrinos, muito antiga, aonde ainda é possível ver, por sobre a sua antiga entrada, o símbolo envelhecido de uma concha, indicando área de peregrinação.

Gau Algesheim foi, na antiguidade, importante centro de peregrinação. A Laurenzikirche foi ponto de parada para repouso dos peregrinos que ali achavam cama, um prato de sopa, e cuidados espirituais e físicos, para o descanso e posterior retorno a sua caminhada.

Vale do médio Reno - ChrisUma visitação a um vinhedo aqui é passeio imperdível. Nos meses de verão, são oferecidos passeios com piquenique e degustação por várias vinícolas. As datas e endereços podem ser encontrados no site da cidade, porém não se esqueça de fazer agendamento prévio.

Afinal a região do médio Reno é a Toscana alemã… Com mais de 2000 horas de sol e cerca de 500 mm de chuva por ano, aqui é uma das áreas mais quentes e mais secas na Alemanha, o que favorece muito a boa qualidade de suas uvas.

Mas se você gosta de uma festa tradicional e muito animada, não perca a festa anual do vinho, realizada há 64 anos sempre no mês de outubro em Gau – Algesheim. Nesta festa você terá a oportunidade de conhecer mais de 40 tipos diferentes de vinhos, provenientes de 8 vinhedos da cidade, nesse site você obterá uma ideia melhor do que eu estou me referindo 

Você terá uma experiência inesquecível… adorarei ler seu comentário aqui.

>> Por que Alemanha ?

– Porque o primeiro livro impresso no mundo foi aqui, sendo que Alemanha é um dos maiores líderes mundiais do mercado do livro, 94.000 títulos são publicados anualmente. E, pasmem, em 1663 a primeira revista do mundo já circulava por aqui!”

Visitando o Rio Reno, na Alemanha!

AI gente, muito amor por esse texto da Chris sobre o Rio Reno! Cada lugar lindo, cada passeio incrível! Se você está de viagem marcada para a Alemanha, não pode deixar de incluir essa região no seu roteiro! Vamos ver?

Ah, e para ler os outros posts lindos e inspiradores da sessão “Por que Alemanha?”, todos escritos pela Chris Rogatto, amiga querida que mora no país, clique AQUI. Você não vai se arrepender! 😉

Por que Alemanha? - Rio Reno

“Alemanha – Rio Reno

`Toda a história da Europa (…) está resumida neste rio de guerreiros e de pensadores, nesta onda imensa que sacode a França, neste murmúrio profundo que faz sonhar a Alemanha. O Reno reúne tudo.` – Victor Hugo (1842) 

E com esta citação de Victor Hugo, já vou justificando a enorme dificuldade que tive em escolher sobre o que escrever do Rio Reno e sua região, pois temas são infindáveis, desde sua essencial e importantíssima história, sua enorme extensão e beleza, onde a cada quilômetro percorrido surgem novas características (e veja que sua total extensão é de 1,233 km!!!) com seus vinhedos, sua cultura e suas paisagens encantadoras. Escrever sobre este rio é para mim um grande desafio.

Vale do Rio Reno

O vale inicia-se nos Alpes, atravessa Suíça, Liechtenstein, Áustria, Alemanha, França, até a foz do Reno na costa dos Países Baixos onde este forma um extenso delta. Constitui a fronteira natural entre a Suíça e o Liechtenstein, entre a Alemanha e a Suíça e entre a Alemanha e a França.

Rio Reno - MapaEspecialmente no tempo dos romanos, as pessoas e seus assentamentos deixaram forte influência na paisagem e clima que circunda o Rio Reno: cidades, bases militares e fazendas (vilas rústicas), estradas sendo abertas da região com a finalidade do transporte rápido de tropas e mercadorias.

O que as guerras e incêndios destruíram, foi reconstruído pelo povo basicamente no mesmo local. Ocorreu então um rápido crescimento populacional desde o final do século 18. Os limites murados e fortificados nos centros das aldeias foram ampliados.

Numerosos castelos e fortificações, a maioria construída entre a Idade Média e o barroco, demarcam as possessões de senhores e nobres sobre o vale.

Você certamente já pode começar a imaginar que passear por aqui leva até o menos sonhador dos turistas a imaginar-se um viajante da época medieval.

Rio Reno - Medieval

Os primeiros passeios de barco pela região começaram no século 19. O Vale do Médio Reno é um dos exemplos mais antigos de turismo de massa na Europa.

Se você tiver pressa para conhecer a região, recomendo nem ir. Tudo por ali deve ser feito sem pressa, não pense em encontrar agito pela região, ali quem comanda é o ritmo do rio e da natureza. Tudo é muito calmo, e as paisagens são mesmo para serem contempladas e certamente tirarão o fôlego de qualquer pessoa.

Rio Reno - Vista

Em 2000, a UNESCO inscreveu os 65 km do vale médio do Reno na lista do Patrimônio Mundial, juntamente com o rochedo da Loreley, perto da cidade de Sankt Goar, na Alemanha.

Entre vilarejos e castelos medievais de contos de fadas, achamos o cenário ideal para lendas, histórias com dragões, princesas e sereias. Creio que a mais conhecida é aquela que se refere ao penhasco Loreley, que se encontra em uma curva do rio.

Conta a lenda que era costume os barqueiros serem atraídos para aquela saliência rochosa por uma sereia que cantava, enquanto penteava seus longos cabelos dourados. A sua canção tinha tal força mágica e encantadora que os barqueiros esqueciam-se de prestar atenção aos perigos que rodeavam o penhasco e ali encontravam a morte.

Esta lenda antiga ficou imortalizada no poema do escritor alemão Heinrich Heine ( século XIX ) intitulado “Die Loreley”, tendo sido musicado em 1830 por Friedrich Silcher.

Existem vários percursos de barco para se conhecer a região, porém o passeio “básico” tem duração de 1h 30 min, e o valor da passagem por adulto é €11,00.

Rio Reno - Barco

O trecho também pode ser feito de trem, a vista do passeio de trem é linda! Porém a vantagem do passeio de barco é que você tem uma visão ampla de ambas as margens do rio, ao contrário do trem e do carro, em que você só vê a margem oposta.

Se você estiver na região do Reno nos meses maio ou setembro, programe-se para um evento incrível: ao longo dos mais lindos e turísticos trechos do Reno é realizada anualmente a queima de fogos, chamada Rhein in Flammen. Com a maravilhosa queima de fogos você mergulhará em um vermelho encantador nas margens do Rio Reno, entre Rüdesheim e Bonn. Uma frota de barcos iluminados à vela, cercados por imagens mágicas formadas no céu pela queima de fogos. A experiência romântica e inesquecível para toda a família. Maiores informações você obtém nesse site.

Em minha próxima nota vamos viajar por algumas pequenas cidades à margem do Reno, as quais me conquistaram de maneira muito especial….

>> Porque Alemanha?

Porque aqui o meio ambiente realmente é coisa levada muito a sério. Não faz muito tempo, o Rio Reno era um rio morto de águas sujas e mal cheirosas. Como fruto de 20 anos de trabalho e muito investimento, hoje o rio é oficialmente considerado limpo. Das 64 espécies de peixes que povoavam o Reno antes da poluição, 63 já voltaram ao rio.”

Stuttgart (Alemanha), e seu mausoléu romântico!

E para animar esse comecinho de feriado delícia, vamos de mais “Por que Alemanha?”! Uhu! Pra quem ainda não sabe, minha querida amiga Chris Rogatto mora no país com a família e, toda semana, escreve pra gente aqui um post sobre algum lugar diferente. Tem tanta coisa bacana já! Clica AQUI pra ver o que já foi escrito!

E o post de hoje fala sobre a região de Stuttgart e seu mausoléu romântico (se é que isso é possível!), que o rei mandou construir para sua rainha que faleceu precocemente como prova de amor eterno. Ounnnnn S2 que fofo! Vamos ver como foi isso?

Por que Alemanha? - Stuttgart

“Stuttgart, distrito de Rotenberg, em Baden Württemberg, possui 719 habitantes e fica a 11 Km de Stuttgart.

Hoje escrevo com um especial prazer, pois vou falar de um dos meus destinos prediletos para passear e relaxar em meio a linda paisagem, parte obrigatória de meu roteiro básico para levar visitas que queiram conhecer a região de Stuttgart : Rotenberg e a Grabkapelle !

Hoje vamos falar de amor!!

A aldeia Rotenberg (anteriormente “Red Mountain”) foi mencionada pela primeira vez em 1248. Por séculos o castelo fortificado Wirtemberg, a sede da família Württemberg, moldou a paisagem entre a cidade imperial de Esslingen am Neckar e a cidade de Stuttgart, antes de ter sido completamente removido por decisão do então Rei Guilherme I para dar lugar a construção de um mausoléu, já que a localização é uma das mais lindas na cidade.

E é neste local que hoje encontramos o magnífico e – creia -, romântico, mausoléu, o Grabkapelle. Vamos lá conhecer esta linda história de amor….                

Stuttgart - Dizeres da placa do mausoléu

Dizeres na entrada do mausoléu : “Que o amor nunca termine”

O mausoléu foi construído pelo Rei Guilherme I, como prova de seu amor eterno, para sua segunda falecida esposa, e filha de Czar, Catherine Pavlovna que morreu muito jovem (1788-1819), somente três anos após seu casamento e pela qual ele foi totalmente apaixonado (eles eram primos!).

Sua construção ocorreu após a morte da rainha Catherine entre 1820-1824 e foi projetada pelo mestre construtor, nascido italiano – em Florença, Giovanni Salucci, exatamente no local do antigo castelo Wirtemberg. Sua construção é um magnífico exemplo de classicismo, tendo sido totalmente inspirada no Pantheom, localizado em Roma. Obra magnífica!

Stuttgart - mausoléu

Vale ressaltar que esta obra teve início concreto após doação de verba pela população, já que a Rainha era muito admirada por todos na região.

Dentro da capela, que tem cerca de 20 metros de altura e um diâmetro cerca de 24 metros, encontram-se colossais estátuas dos quatro evangelistas, que estão colocadas em nichos na parede. Tanto estas estátuas como as que estão nos dois sarcófagos foram esculpidas em mármore de Carrara.

Curioso é que abaixo da capela encontra-se uma moradia, que também foi projetada e construída por Salucci. Ela servia de morada para dois cantores e um religioso, que tinham a incumbência de rezar e cantar hinos rotineiramente para a amada, ali sepultada.

Stuttgart - mausoléu 2

No conhecido “monumento ao amor eterno”, onde tudo nos remete ao romance, inclusive sua paisagem, cercada por vinhedos que no outono se parecem com imagens de algum sonho bom, devido a coloração intensa de suas folhas e a imagem do pequeno vilarejo que é envolvido pelas plantações. Ambiente ideal para plantações de uvas e consequente excelente qualidade de seus vinhos.

O Rei Guilherme I e suas filha Marie Friederike Charlotte de Württemberg (1816-1887) também estão enterrados ali.

No período de 1825-1899, a capela serviu como uma igreja ortodoxa russa, religião que a Rainha Catherine professava. Ainda hoje, todo o ano em Pentecostes ocorre ali tradicionalmente culto da igreja ortodoxa russa, em memória a Rainha. Eu tive a enorme surpresa e privilégio de, em 2013, presenciar este culto, cerimônia muito tradicional, pessoas trajando roupas típicas, muitas crianças, coros e religiosos presentes, experiência inesquecível em um lugar magnífico.

Stuttgart - paisagem

Muitos amantes julgam ser este o local mais romântico da região – com uma vista magnífica sobre o Neckar, perto de Stuttgart. Eu concordo plenamente com eles.

Um passeio pelos vinhedos que rodeiam o mausoléu, a vista maravilhosa no vale do Neckar e no final quem sabe degustar uma taça de vinho – o programa perfeito para conhecer este romântico monumento que nos conta sobre o amor deste casal de reis.

>> Por que Alemanha?

– Porque o vinho alemão tem excelente qualidade e tradição, os vinhedos aqui são os mais setentrionais do mundo, algo nas latitudes 49 e 51, bem acima, por exemplo, dos vinhedos onde se produzem o Champagne, na França. O frio e as características do sol tem forte influência na sua qualidade.”

“Por que Alemanha?” e o Castelo de Lichtenstein

E quem aí não é apaixonado por castelos, hein? Ainda mais os de conto de fada? S2 Pois é, minha gente, o “Por que Alemanha?” dessa semana fala sobre o famoso Castelo de Lichtenstein, também chamado de Castelo do Conto de Fadas… Só por esse “apelido” já dá pra perceber que que coisa boa, né?

Quem estiver passando pela região de Stuttgart e vizinhança, não pode deixar de fazer uma paradinha no castelo. É imperdível! Mas chega de falação e vamos logo ao que interessa? Com vocês, Chris Rogatto!

Obs.: quem quiser ler sobre mais cidades e pontos turísticos super incríveis da Alemanha, clique AQUI e veja todos os posts sobre o assunto!

Por que Alemanha? - Castelo de Lichtenstein

“Hoje vamos passear pelo encantador Castelo de Lichtenstein, em Baden Württemberg!

AVISO IMPORTANTÍSSIMO: não confundir o Castelo de Lichtenstein, situado em Reutlingen em Baden Württemberg, com o pequeno país Lichtenstein !!

O Castelo de Lichtenstein também é chamado de Castelo do Conto de Fadas, o que faz muitas pessoas o confundirem com o Castelo de Neuschwanstein em Munique (que foi o inspirador de Disney para o desenho A Bela Adormecida). E realmente ao entrar no castelo você se sente em um verdadeiro conto de fadas.

Eu sou uma verdadeira amante de castelos e na minha lista de favoritos já têm inúmeros. O Castelo de Lichtenstein entrou pra essa lista e é sem dúvida um passeio imperdível para quem mora na região de Baden-Württemberg ou planeja passar alguns dias por aqui.

Esse castelo fica situado sobre um penhasco nas montanhas suábias (Schwäbiche Alb) na região de Reutlingen, ao lado de Tübingen. Eu não sei você, mas quando eu vejo um castelo muito antigo como esse, fico pensando na história que ele carrega, inclusive como eles conseguiram construí-lo em um lugar tão fantástico. Incrível!

Castelo de Lichtenstein

Entre 1150-1180, partes do castelo foram construídas pelo Povo Pedra da Luz (Povo Lichtensteiner), daí a origem do nome. O chamado Castelo Pedra da Luz assim é denominado porque foi construído com pedras que brilham ligeiramente. De dentro dos aposentos, isso fica mais evidente. 

A sua primitiva construção foi destruída duas vezes, em 1311 e em 1381 e após a segunda vez o castelo caiu em desuso. Felizmente, em 1802 o Rei Frederico I de Württemberg, construiu lá um pavilhão de caça e em 1837, foi passado para o seu sobrinho, o duque Wilhem I de Urach. Ele construiu o castelo entre os anos de 1840 e 1842 e é esse, que tive a oportunidade de visitar. O castelo ainda é propriedade da família Urach. Construído em estilo romântico neo-gótico, ele tem uma torre bem alta, belos jardins e objetos de coleção do duque de Urach, como armas, armaduras e quadros.

 O castelo é lindo e sua localização é fantástica.

Castelo de Lichtenstein - inverno

Pra quem gosta de andar assim como eu, existe uma trilha bem sinalizada que leva até o castelo. A trilha é bem estreita, tem umas partes complicadas e não muito seguras e eu não aconselho segui-la quando estiver nevando. Na primavera e verão é tranquilo, mesmo com um pouco de chuva. Tudo o que você vai precisar é de sapatos apropriados, disposição e sua câmera, pois a paisagem é de tirar o fôlego.

Comparado com outros castelos famosos ele é o menor que já visitei na Alemanha, mas isso não o faz menos impressionante. Além disso, a sua construção foi inspirada em um livro, o romance “Lichtenstein” de Wilhelm Hauff, escrito em 1826. Eu não li o livro ainda, mas está na minha lista de leitura. Estou curiosa para descobrir como um livro pode inspirar essa admirável estrutura neo-gótica.

Para fazer o download gratuito do livro, clique AQUI  (em inglês).

Mais um motivo para eu super-recomendar esse passeio.

Castelo de Lichtenstein - 3

De Stuttgart a viagem leva apenas 1 hora. O tour básico dentro do castelo é de 30 minutos e custa 6 euros para adultos e 3 para crianças, mas é somente em alemão.

Achei este filme no youtube, se você tiver um tempinho a mais, recomendo assisti-lo e assim conhecer mais de perto esta beleza:

>> Por que Alemanha?

– Porque a grande maioria dos alemães tem sempre um livro na mão, seja no trem, no parque, na parada de ônibus… eles estão sempre lendo.

“Por que Alemanha?” – Rechberg

Ai que delícia! Mais um post lindo e diferente da nossa querida Chris Rogatto! Hoje ela vai fazer sobre Rechberg, uma cidadezinha localizada aos pés de uma montanha, super graciosa e cheia de histórias, claro.

Pra ver os outros temas da nossa super séria “Por que Alemanha?”, clica AQUI!

Vamos lá? 🙂

Por que Alemanha? - Hohenrechberg

” Rechberg, Schwäbisch Gmünd em Baden Würtemberg, possui 1.324 habitantes.

Semana passada comecei a falar um pouco de nossa região, o que me levou a complementar o assunto, falando hoje de Rechberg, pequeno distrito situado aos pés da montanha com o mesmo nome, a 5 km ao sul de Schwäbisch Gmünd e a 707,9 m de altitude. Rechberg é um dos três “Kaiserberge”, conjunto de três montanhas que definem e caracterizam o contorno montanhoso da região aonde moro.

Vista do Rechberg

Ainda em meados do Século 19 podia-se ver na paisagem ovelhas e cabras pastando. A partir de 1870, as encostas foram parcialmente replantadas com florestas. Desde 1955, toda a área do Rechberg, com exceção das áreas de assentamento, é protegida pela lei de preservação ambiental. A natureza e a paisagem que se tem do local é lindíssima!

Igreja de Santa Maria Hohenrechberg :

Santa Maria Hohenrechberg

A linda igreja barroca foi construída pelo arquiteto Valerian em 1686-1688.

A peça central do altar na igreja é uma estátua de Maria do início do Século 14. Rechberg foi desde o século 11, destino de peregrinações. Naquele período um eremita trouxe consigo uma belíssima figura de Maria, esculpida em madeira. Ele construiu então para aquela figura, uma pequena e simples capela. Tanto de perto como de localidades longínquas, vinham doentes e necessitados pedir a piedade e ajuda de Maria. No ano de 1488, o Conde Ulrich Von Rechberg construiu então, naquele local, uma pequena igreja de pedras. Seu filho, Franz Albert, construiu em 1686 a atual capela barroca, devido ao grande número de peregrinos que por ali passavam. Ela localiza-se exatamente onde ficava a primeira capela de madeira.

O Castelo Hohenrechberg

O castelo Hohenrechberg foi mencionado, pela primeira vez, em 1179. Ele era por longa data, residência da família dos Condes de Rechenberg. Após um grande incêndio ocasionado por raios (ocorrência muito comum na época), em 1865 o castelo tornou-se uma ruína.

Hohenrechberg

A saga do Rechberg tem como ação principal a morte do conde Ulrich II († 1496). Conta a história que ele e sua esposa Anna utilizavam seu cachorro para enviar mensagens entre si. Inclusive durante o período do namoro, o cão levava estas mensagens de castelo em castelo, em um bolsa encaixada em sua coleira. Um dia, conde Ulrich estava fora da cidade e sua mulher Anna rezava na capela para um retorno seguro de seu marido. Durante a oração, ela foi perturbada por uma forte batida. Quando, após a terceira batida, a porta se abriu, eles encontraram o cachorro de seu marido na porta. Ela abriu a bolsa de couro na coleira do cão. Achando o saco vazio, ela sabia que algo tinha acontecido. Logo depois, ela recebeu a notícia de sua morte. Desde então, diz a lenda, que cada vez que se ouve em Rechberg forte batida na porta, significa que alguém da família Rechberg está em seu leito de morte. A representação do cão fiel em ligação com a nobreza Rechberg aparece em vários pontos no tempo. Isto ocorreu até meados do Século 18.

Interessante:

Caso você se interesse por geologia, ou somente goste muito de uma boa caminhada, Rechberg será certamente um interessante local. Eu sugiro navegar nesse link e planejar este passeio. Neste link achamos todas as informações necessárias para um passeio com duração de aproximadamente 4 horas, num percurso de 13 quilômetros. Nesta caminhada você seguirá o trajeto geológico, atravessando pequenas pontes, descobrindo no Hohenrechberg, o Santuário e as ruínas de Rechenberg.

>> Por que Alemanha ?

–  Porque aqui a gente anda de bicicleta, usando-a não somente como lazer nos finais de semana, mas sim como meio de transporte. Não tem preço poder ir e vir respirando ar fresco (o meio ambiente também agradece…)!!! “